Simone de Beauvoir, nascida em Paris, França, foi escritora e integrante do movimento existencialista. Cursou matemática no Instituto Católico de Paris e, em seguida, filosofia na Universidade de Sorbonne, onde conheceu outros jovens intelectuais, como Jean-Paul Sartre, com quem manteve um relacionamento amoroso por toda a vida.
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Simone de Beauvoir |
O existencialismo foi uma corrente filosófica e um movimento intelectual surgido na Europa, no fim do século XIX, mas ganhou notoriedade no século XX, a partir do existencialismo Francês, tendo como principal pensador Jean-Paul Sartre. Os filósofos existencialistas têm diferenças teóricas entre si, porém o que os aproxima é o foco de seus estudos nos seres humanos, em seus sentimentos e em suas vidas enquanto seres individuais.
Como característica marcante da filosofia existencialista, tem-se a concepção sobre o absurdo, ausência de um propósito racional, em que não há sentido no mundo a ser encontrado além do significado que nós, seres humanos, damos a ele. Somos livres para tomar decisões. Em outras palavras, o ser humano é um ser que possui toda a responsabilidade pelas suas ações, sejam elas boas ou ruins. Dessa forma, ele cria, ao longo de sua vida, um sentido para sua própria existência, não há forças metafísicas ou preconcebidas que permeiem suas escolhas. Por consequência, a liberdade de escolha é o elemento gerador por qual ninguém e nem nada pode ser responsável pelos encaminhamentos da vida. Os indivíduos são seres para-si, livres e plenamente responsáveis.
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Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci Ícone do antropocentrismo, o homem como centro do universo. |
A partir da autonomia moral e existencial, fica claro que a existência precede a essência, ou seja, o homem existe primeiro, surge no mundo, e se define em seguida. Assim, se o indivíduo na concepção do existencialismo não é definível, é porque ele não é, inicialmente, nada. Ele apenas será alguma coisa posteriormente, e será aquilo que ele se tornar, deste modo, não há natureza humana, pois não há um Deus para concebê-la.
Entretanto, o sexo feminino não desfruta de tal liberdade, pois, enquanto os homens são condenados a serem livres, as mulheres nascem com seus papéis já previamente determinados no mundo. Inclusive, outras mulheres condenam comportamentos que não são preestabelecidos pela sociedade vigente às demais, isto é, nenhum destino biológico, psíquico ou econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade. É o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.
Compreende-se, portanto, diante do exposto, a beleza e a verticalidade do pensamento beauvoiriano: "Não se nasce mulher, torna-se mulher".
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